Por Eduardo Marcelo Silva Rocha *
Muito há de se falar diante de 190 anos de História. Mesmo em apenas 27 desses 190, há muito o que se falar, imagine em 190!
Normalmente, e sem críticas, qualquer texto que verse sobre esse tema, tenderá a tratar de Guerra do Paraguai, Canudos, Banditismo (Lampião) e 2ª Guerra. É normal, a História, normalmente, é contada sobre grandes eventos ou eventos chaves. Particularmente, passei 3 anos ouvindo esses relatos e, talvez por isso, não seja o maior defensor desses aspectos importantes.
Não porque alguns sejam postos no esquecimento pelas vaidades de outrem, mas devido ao fato de que todos sem exceção serão esquecidos. É a realidade inexorável. Por isso, amigo, vou lhe pedir licença e ao invés de tratar aqui do que é mais conhecido, tratarei de resgatar pessoas ou episódios desconhecidos.
Começarei pedindo licença aos Historiadores, pela liberdade de quem não divide este Ofício, para falar de Francisco Camerino – sim, o da Praça Camerino. Esse ilustre estanciano lutou na Guerra do Paraguai, integrando o efetivo sergipano envolvido naquela operação, é bem verdade que ele não era oriundo de nenhuma força, mas, cerrou fileiras no Batalhão respectivo, com o Corpo Policial sergipano, que em sua totalidade foi enviado ao teatro de operações. Camerino, destacou-se em bravura na batalha do Curuzu e depois participou do ataque a Curupaiti, donde sairia gravemente ferido e, por isso mesmo, morreria. Camerino, segundo conta-se, teria recusado o clorofórmio como anestésico, durante a cirurgia de amputação de seus braços, e, antes de morrer, declamou versos de um poema heróico de Thomaz Ribeiro. Camerino, o “herói paisano”, virou nome de praça, de escola e ganhou uma estátua em Sergipe, além de virar nome de rua no RJ e ter sido homenageado pela força terrestre.
Outro desconhecido é o Alferes Antonio Wanderley Torres, que integrou as forças sergipanas empregadas em Canudos. Tendo se destacado – atuando como adido, por isso, que acredita-se ter sido integrante do Corpo Policial sergipano, nas poucas operações que participou, antes de sua morte em uma delas. Wanderley é pouco lembrado, a pesquisa de Arruda (2019) é que faz esse resgate, do herói da guerra errada.
Outros heróis, esses os que posso cravar que foram integrantes da nossa já Força Pública (finalmente!), foram dois que tombaram efetivamente em cumprimento do dever, na madrugada de 13 de julho de 1924.
O primeiro, o Soldado José Rodrigues de Castro, tombou defendendo o Palácio do Governo (hoje Palácio Museu), primeira edificação atacada pelos revoltosos do 13 de Julho, após a tomada do Quartel do 28 BC. Já o segundo, ocorreu quase que concomitante ao primeiro, quando a mesma insurgência atacou o quartel da Força Pública de Sergipe (atual PMSE), localizado onde hoje está edificado o Museu da Gente Sergipana. Seu nome era José Matias de Oliveira.
Assim, nesse dia festivo, particularmente, gostaria de comemorar o aniversário de 190 anos da instituição de Estado que me acolheu, e de prestar, mais uma vez, meu respeito e minhas homenagens aos dois nossos soldados esquecidos do 13 de Julho de 1924, que tombaram no cumprimento dos seus deveres. Conforme pesquisa de Maynard (2008).
À memória deles, a minha continência respeitosa!
Parabéns, Polícia Militar de Sergipe!!
* É tenente coronel da PM/SE e membro da Academia Brasileira de Letras e Artes do cangaço (eduardomarcelosilvarocha@yahoo.com.br)