Severo D’Acelino é “doutor honoris causa” da Universidade Federal de Sergipe desde o último sábado. Foi exatamente no Dia da Consciência Negra, 20 de novembro, que José Severo dos Santos, mais conhecido como o ativista dos direitos humanos, poeta, ator, dramaturgo, diretor teatral, coreógrafo e pesquisador das culturas afro e indígena de Sergipe, Severo D’Acelino, recebeu do Conselho Universitário (Consu) da UFS o elevado título pela sua história de vida e por sua luta antirracista. A entrega ocorreu no auditório da Reitoria no campus de São Cristóvão e contou com a transmissão ao vivo no canal do YouTube da TV UFS.
O sergipano Severo D’Acelino é fundador do movimento negro em Sergipe, Bahia e Alagoas. Coordenou em 2004 o projeto “João Mulungu vai às Escolas” com o objetivo de discutir nas escolas públicas a inserção do afro-descendente na sociedade sergipana.
A sessão iniciada às 10h30 foi presidida pelo reitor Valter Santana e contou com a presença da cantora Winnie, que abriu a cerimônia cantando a canção ‘Tributo a Martin Luther King’, acompanhada do maestro Carlos Magno ao piano. A mesa foi composta ainda pelo vice-reitor Rosalvo Ferreira, Linda Brasil, vereadora mais votada de Aracaju, Maria Batista Lima, coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros, Carlos Alberto Santos de Paula, pró-reitor de Políticas Afirmativas e Assuntos Estudantis da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Iran Barbosa, deputado estadual, Ângela Melo, vereadora, e Tania Cristina, presidente da Academia Literocultural de Sergipe.
“Não é apenas do campo da ciência, mas de outras formas de constituir a sociedade. Reconhecer essa honraria que é a mais alta da instituição é também ter critérios. A concessão desse título implica nas múltiplas formas de entender a concepção da sociedade. Não podemos pensar em universidade sem inclusão, representatividade e acesso”, declarou o professor Fernando Aguiar, do Departamento de Museologia da UFS.
O doutor honoris causa iniciou seu discurso saudando os orixás com uma canção e em seguida lembrou de seus pais. “Tomado de emoção e orgulho, assumo essa tribuna para saudar os homens e mulheres que fizeram parte de minha história, cujos nomes me curvo sempre a proferir”, disse D’Acelino, que citou os nomes de seus pais, Acelino Severo dos Santos e Odília Eliza da Conceição.
Falou também do sofrimento enfrentado pelos negros. “Sou apenas um contador denunciante de história da cultura sergipana, com ênfase nas questões e condições do nosso povo negro perseguido e discriminado com violações de direitos, sofrendo o desconforto de não poder expressar as suas culturas e felicidades”.
Carlos Alberto Santos de Paula, pró-reitor da UFRB e também primo de D’Acelino, mencionou a importância de manter viva a chama da luta antirracista. “Nós vivemos um momento na história do Brasil em que todos os pilares democráticos estão em risco, pois nós tivemos um processo civilizatório que não se consolidou com a construção de uma nação. É necessário que haja um diálogo articulado e generoso para reconstruir os pilares dessa nação. Para que possamos fazer essa reconstituição, temos que debelar todos os efeitos colaterais da escravidão”.
Segundo o Estatuto da UFS, o título de doutor honoris causa é concedido a personalidades que se destacaram pelo saber, seja pela atuação em prol da Filosofia, Ciências, Técnica, Artes e Letras, seja pelo melhor entendimento entre os povos ou em defesa dos direitos humanos.
Ascom UFS/ Fotos: Adrine Cabral/Ascom UFS e Caio Ribeiro/TV UFS